Curiosidades |
| Os cetáceos dormem? |
Em alguns golfinhos estudados em cativeiro, foi observado que, durante um período de descanso, as espécies estudadas chegavam a apresentar atividade em apenas um dos dois hemisférios cerebrais. Em outro período de descanso, era utilizado o outro, havendo um revezamento entre os dois hemisférios. |
| Quantos anos vive uma baleia? E um golfinho? |
O estudo da longevidade dos cetáceos - quantos anos podem viver - é relativamente complicado. É muito difícil acompanhar o nascimento, o crescimento e a morte de um cetáceo em ambiente natural. São necessárias gerações de pesquisadores para que se chegue a alguma conclusão. Muitos estudos já duraram mais de 20 anos contínuos. É o caso do estudo das orcas no noroeste dos Estados Unidos e no sudoeste do Canadá. já no cativeiro, existe essa possibilidade com relação ao meio ambiente natural dos cetáceos. Não existem predadores, correntes de água e necessidade de captura de presas vivas para alimentação. Por outro lado, os animais estão confinados a um cercado, que muitas vezes acaba por estressá-los, podendo até levá-los à morte. |
| Porque às vezes os cetáceos ficam com a nadadeira caudal fora da água? |
Em alguns casos, os machos de baleias-jubarte colocam-se numa posição inclinada - com a cabeça no fundo e a calda exposta na superfície - quando eles estão emitindo seus repertórios sonoros. Isso pode ocorrer também quando as baleias vão mergulhar a grandes profundidades. Já as batidas da nadadeira caudal na água podem servir para a comunicação entre indivíduos de um mesmo grupo, para atordoar presas e também para se livrar de alguma irritaç |
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
SUBORDEM MYSTICETI (Baleias de Barbatanas) |
Os misticetos ou mistacocetos, são na sua maioria grandes baleias que não apresentam dentes. No lugar destes, possuem compridas fileiras de cerdas - as "barbatanas" - que pendem do céu da boca em posição lateral. A função destas cerdas é a retenção de alimentos. A alimentação dos mistacocetos consiste basicamente de organismos planctônicos, especialmente pequenos crustáceos do gênero Euphasia que abundam nos mares mais frios, e algumas espécies costumam predar sobre cardumes de peixes de pequeno porte. No ato da alimentação, o animal enche a boca de água, "filtrando" o alimento ao expelir a água através das cerdas já mencionadas. |
Golfinhos |
ø Amizade ø Falante, amistoso, carinhoso com seus congêneres e voraz contra seus inimigos, o golfinho já foi definido, certa vez, como o primo ideal para o homem. Gentil com as crianças e forte o suficiente para derrotar tubarões, ele tem atributos que o aproximam daquilo que os humanos sonham para si próprios. Heróico, capaz de salvar afogados empurrando-os docemente para a praia - como registram inúmeros relatos ao redor do mundo -, o golfinho vem sendo cantado em prosa e verso desde tempos remotos. Marinheiros de diversas nacionalidades consideram sua presença presságio de boa sorte e há um grande número de lendas sobre seus poderes. Apolo os utilizava como guia para os sacerdotes cretenses. Netuno evocava a sua sensualidade para conquistar Anfitritre. Mais recentemente, relatos de amizade intensas entre golfinhos e crianças foram vistos e documentados. O caso da neozelandesa Jill Baker, que recebia a visita diária do golfinho Opo, com quem "cavalgava" mar a dentro, chamou a atenção de cientistas em meados deste século. Mais tarde a televisão e o cinema se encarregaram de popularizá-lo de uma vez por todas como o grande astro submarino. De certa forma, as chances do golfinho, em qualquer parte do mundo, se parecem cada vez mais com as chances do homem. Comportando-se no fundo dos mares e dos rios com o altruísmo que gostaríamos de ver em nós mesmos, o futuro dos golfinhos é uma espécie de antevisão do futuro da humanidade. Se eles resistirem, estaremos salvos. Porque o que fizemos a eles, acabaremos fazendo a nós mesmos. ø Comunicação ø O sonar dos golfinhos O golfinho é capaz de gerar som sob a forma de clicks, dentro dos seus sacos nasais, situados por detrás da nuca. A frequência dos clicks é mais alta que a dos sons usados para comunicações e difere de espécie para espécie. A nuca toma a função de lente que foca o som num feixe que é projectado para a frente do mamifero. Quando o som atinge um objecto, alguma da energia da forma de onda e reflectida para o golfinho. Aparentemente é o maxilar inferior que recebe o eco, e o tecido gorduroso que lhe precede, que o transmite ao ouvido médio e posteriormente ao cérebro. Recentemente foi sugerido que os dentes e os nervos dentários transmitiam informações adicionais ao cérebro dos golfinhos. Assim que um eco é recebido, o golfinho gera outro click. O lapso temporal entre os clicks permite ao golfinho identificar a distância que o separa do objecto. Pela continuidade deste processo, o golfinho consegue seguir objectos. Ele é capaz de o fazer num ambiente com ruido, é capaz de assobiar e ecoar ao mesmo tempo e pode ecoar diferentes objetos simultaneamente - factores que fazem inveja a qualquer sonar humano. O tipo de som que os golfinhos emitem não tem um nome específico. Não há dúvida, porém, que, de seu modo peculiar, os golfinhos " falam " abundantemente. Cientistas que convivem com o cetáceo são unânimes em afirmar que os golfinhos mantêm algum tipo de comunicação auditiva. Alguns garantem que essa comunicação tem regras e serve para organizá-los socialmente, como acontece com os homens. Ninguém, entretanto, foi tão longe como a equipe do Instituto de Morfologia Evolutiva e Ecologia dos Animais da Academia de Ciências da Rússia. Pesquisadores comandados pelo cientista Vladimir Markov, depois de um longo estudo no golfinário de Karadag, no Arzebaijão, publicaram um trabalho em que anunciam a existência do " golfinhêz ". Ou seja: um sistema aberto de linguagem composto de 51 sons de impulsão vocal e nove tipos de assobios tonais, que comporiam um possível alfabeto próprio da espécie. De acordo com Markov, os golfinhos são capazes de compor frases e palavras regidas por leis semelhantes às da sintaxe humana. ø Inteligência ø São diversos os fatores que afetam aquilo a que chamamos de "inteligência". O principal componente é a habilidade que se tem de comunicar. Um humano pode ser extremamente inteligente mas se passar todo o seu tempo a tentar sobreviver, então não restará tempo para o pensamento. Tempo livre é então um grande fator, e os golfinhos têm-no em abundância. Em primeiro lugar, os golfinhos não dormem como nós, eles são capazes de "desligar" uma parte do cérebro por minutos numa determinada altura ao longo do dia. Muito raramente "desligam" o cérebro completamente. Isto é necessário porque os golfinhos necessitam de respirar ar pelo menos uma vez em cada 8 minutos. As únicas coisas que um golfinho faz é comer grandes quantidades de peixe e brincar. A comunicação entre espécies é também necessária. Os golfinhos usam uma linguagem por assobios que é 10 vezes mais rápida que a nossa fala e 10 vezes mais alta em freqüência. Para que um golfinho falasse com a nossa velocidade, seria como se um humano tentasse falar com um trombone, muito muito lento. Para um golfinho, tentando falar com a nossa freqüência e velocidade, o resultado seria o seguinte: nós falamos muito devagar. É muito dificil para nós falarmos assim tão devagar, e para os golfinhos também. Outra particulariedade na comunicação dos golfinhos é o sonar, que lhes permite determinar as reacções internas de outros golfinhos, humanos, peixes, etc. Imaginem sabermos como se sentem todas as pessoas à nossa volta, se estam alegres, tristes, zangadas. Ninguém poderia enganar ou mentir. Isto deve-se a mudanças psicológicas que ocorrem dentro de nós quando pensamos em determinadas coisas. Também através do sonar um golfinho consegue ver se alguem está ferio ou não. Eis um caso real: Uma senhora que se encontrava numa piscina com golfinhos era continuamente empurrada para fora da piscina. Uns minutos mais tarde, ela um colapso com dores. No hospital descobre que tinha uma hemorragia interna, que os golfinhos muito provavelmente tinham dado conta. Como não havia mais ninguém por perto na piscina, e a distância entre a linha de água e o cimo da piscina era grande, os golfinhos tentaram a custo impedi-la de ficar na piscina, e assim salvaram-lhe a vida. A única coisa que os cetáceos não têm é uma maneira de registar a linguagem tal como a escrita. Uma ideia seria construir um programa de computador que permitisse traduzir os assobios dos golfinhos em escrita e gravar; e vice-versa, passar o nosso texto para linguagem de golfinhos. Isto já foi feito com chimpanzés e resultou surpreendentemente. Ora tendo em conta que os golfinhos são muito mais inteligentes que os chimpanzés, porque não tentar o mesmo? |
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
EMBRAPA e a arte de transformar morte em riqueza
Postado em 28/12/2010 à/s 22:00
Tanques de aquicultura, onde peixes "comestíveis" são condenados a viver por toda a sua curta vida.
O que são os direitos dos animais para a EMBRAPA? O que são para ela os sentimentos, o sofrimento e a dor dos animais não humanos? E a vida deles? Observando os esforços dessa empresa em promover a pecuária, a pesca e a aquicultura, podemos perceber que essas qualidades nada lhe valem.
Essa conclusão é fácil de ser tirada quando contemplamos a mais recente novidade da entidade: as pesquisas de criação de um “superpeixe”, que cresceria mais rápido e seria abatido muito mais cedo do que outros peixes. Via de regra, uma categoria de animais criados para serem comidos. Bichos que nascerão não para viver em liberdade, mas sim para criar músculos e morrer cedo.
A EMBRAPA, ao desenvolver o “superpeixe”, ensina aos brasileiros que alguns animais nascem com o fim único de serem escravizados, aprisionados e comidos. Ensina que a vida dos animais que nascem subjugados pela pecuária e pela aquicultura não vale nada, e que seus sentimentos e dores nada mais são que frias “variáveis” que precisam, em nome da qualidade dos seus “produtos” e do lucro, ser controladas por critérios de “bem-estar” – tendo inclusive o apoio de organizações pseudoanimalistas que pensam não em salvar os animais, mas sim em limpar a imagem dos pecuaristas e aquicultores da pecha de cruéis.
O que não impede, no entanto, que esses bichos jamais tenham o direito à liberdade que vá além das cercas da propriedade do pecuarista ou das paredes do minúsculo tanque do aquicultor. Ou que sofram insuportavelmente ao serem pendurados e degolados ou retirados da água que, no caso dos animais aquáticos, lhes provê oxigênio.
Além de prover esses “ensinamentos”, essa empresa estatal, com a seleção genética que originará o tal peixe “lucrativo”, mostra ao mundo que é mestre na “arte” de transformar vida em mercadoria e morte em riqueza. Afinal, os animais, para dar dinheiro aos seus “proprietários”, podem ser vendidos vivos, medidos em toneladas ou arrobas, ou ser mortos para a retirada de sua carne, couro, vísceras etc. Das mais diversas formas, sua vida e morte são transformadas em cifrões.
E no fundo de tudo, a EMBRAPA fala que quer incentivar o consumo de carne de peixe. Uma iniciativa que não só transforma vida, sofrimento e morte em dinheiro como ameaça os ecossistemas submarinos. Se a proposta é popularizar a venda da carne dos animais aquáticos, é de se pensar na possibilidade de haver um fatal efeito cascata que implique o aumento do consumo de carne de outros peixes, o subsequente aumento do extermínio pesqueiro nos mares, rios e lagos brasileiros e, logo, a piora na ameaça de extinção faunística que espreita as águas do planeta.
É assim que a EMBRAPA trabalha contra os animais, mantendo e fortalecendo o atual sistema de escravidão e abate que, na pecuária, pesca e aquicultura, reduz a vida animal a nada e transforma a morte em coisa rentável. Realiza, a cada pesquisa que envolve animais “comestíveis”, a proeza de criar vidas que não servem para viver, animais que não servem para a liberdade. Reduz os bichos, e todos os seus sentimentos e sensibilidades, a meros corpos insensíveis que serão vendidos no supermercado como carne.
Globo, touradas e a omissão da polêmica
Postado em 05/02/2011 à/s 3:59
Criticar o jornalismo da Globo é como chamar o diabo de mau, mas ainda é necessário, pois a crítica dá ao outro lado a voz que a emissora negou e serve para dar um alerta àqueles telespectadores menos dotados de senso crítico. E agora a ação dos críticos foi acionada novamente, pois o Globo Repórter de 04/02 engajou-se numa romântica e amoral apologia às touradas, exaltando sem pudor uma atividade que hoje deveria ser impossível não ser vista como algo no mínimo polêmico.
Nessa edição, falou-se da Espanha, com suas maravilhas turísticas e boas condições de vida – exceto para os militantes do separatismo basco e catalão, mas isso é assunto para outros textos –, e incluiu-se a tourada como se ainda fosse parte indiscutível da essência cultural e turística espanhola. Exceto por poucos segundos em que se citou parcamente a oposição de muitos espanhóis à atividade, foi só elogios e exaltações quase líricas ao ato de torturar e assassinar touros em arenas, como se isso não dividisse opiniões nem fosse visto por meio mundo como motivo de vergonha, em vez de orgulho, àquele país.
Não faltaram substantivos a enaltecer o pseudoesporte em questão: “paixão”, “elegância”, “arte”, “beleza”, “coreografia perfeita”. Sem falar das consistentes homenagens à vocação dos toureiros, cujas biografias seriam fichas policiais em outros países. À Globo, o “espetáculo” de violência, sangue e morte que revolta literalmente meio mundo é tão belo e aprazível quanto a arquitetura da Sagrada Família, a coreografia do flamenco ou o surrealismo de Salvador Dalí.
O “gol de honra” permitido pela Globo ao outro lado não durou nem um minuto. 50 segundos foi a duração do único momento da matéria em que a defesa animal antitourada foi citada – e ainda de forma inócua, muito fraca. Nem mesmo aquela que deveria ser a palavra-chave da reportagem – polêmica – foi sequer citada. A voz crescente da defesa animal contra a tauromaquia, um dos únicos temas relativos a Direitos Animais que unem bem-estaristas e abolicionistas, foi reduzida um murmúrio risível de tão xoxo.
Uma frase de poucos segundos citada indiretamente de uma única defensora animal, um resumo pequenino e pueril dos longos discursos de quem defende a vida e a integridade dos animais e o banimento da violência das tradições espanholas, foi o único argumento exibido para a oposição ao assassinato de touros: “esta é uma tradição cruel, e o que fazem com o animal é uma tortura”.
E a repórter, demonstrando desconhecer totalmente a consciência e o panorama político-cultural do povo catalão, ainda afirmou que “parecia impossível” banir a tourada da Catalunha pelo apelo popular e legal.
Tenta-se entender entre os que declaram gostar e respeitar os animais – desde os veganos militantes até os simpatizantes dos protetores de cães e gatos – por que a Globo transformou um assunto tão polêmico, conflituoso, eticamente questionável e repudiado por milhões de pessoas até mesmo dentro da Espanha em uma atração agradável, admirável, apaixonável e virtuosa. Que interesses podem ser inferidos a partir do ato de apoiar, a milhares de quilômetros de distância, a indústria da tourada de outro país?
A Globo mostra que, se não é mal intencionada, tem sua visão “ética” de mundo parada lá atrás no tempo. Estacionada numa época em que defender animais era nada mais que cuidar de cães e gatos abandonados e criticar touradas, rodeios e vaquejadas era considerado “falta do que fazer”.
A emissora vem perdendo o respeito e a audiência dos brasileiros, e essa pérola de jornalismo míope vai acelerar esse desgaste, já que hoje, felizmente, grande parte da população brasileira, dos veganos até os onívoros mais inveterados, repudia as touradas e deseja a sua proibição na Península Ibérica e em qualquer outro país.
Turismo intoxica o México
Embalagens de produtos de higiene pessoal e de substâncias consumidas pelos moradores e por milhões de visitantes de Cancún e áreas vizinhas estão matando a galinha dos ovos de ouro do turismo do México.
Uxbridge, Canadá, 7 de fevereiro (Terramérica).- Em pleno auge, a indústria turística mexicana que se estende ao longo da Riviera Maia e de Cancún contamina o maior sistema de grutas submarinas do mundo e causa impacto no arrecife coralino localizado nas proximidades, afirma um novo estudo. Produtos farmacêuticos, resíduos de cocaína, xampu, creme dental, pesticidas e lixo químico que deslizam das estradas foram encontrados no imenso emaranhado de rios e aquíferos subterrâneos do sul da cidade turística de Cancún, localizada na costa caribenha do Estado de Quintana Roo.
“Há poucas dúvidas quanto aos poluentes que encontramos terem origem nas atividades humanas ao longo da região costeira”, disse Chris Metcalfe, pesquisador do Instituto para a Água, o Meio Ambiente e a Saúde, da Universidade das Nações Unidas. A revista britânica Environmental Pollution publica hoje o estudo deste instituto chamado “Contaminants in the coastal karst aquifer system along the Caribbean coast of the Yucatan Peninsula” (Contaminantes no sistema aquífero das cavernas submarinas ao longo da costa caribenha da península de Yucatán).
Latrinas, fossas sépticas, vazamentos nos encanamentos do esgoto e campos de golfe são as fontes mais prováveis dos produtos que prejudicam as águas subterrâneas, disse Chris ao Terramérica. Estas correntes transportam boa parte desses resíduos para a zona costeira e a barreira de coral mesoamericana, a segunda maior do mundo. A contaminação terrestre é apenas um dos impactos sobre os arrecifes costeiros, acrescentou. A pesca acima dos limites estabelecidos, doenças e a mudança climática também contribuíram para a perda de até 50% dos corais desde 1990.
“Sem se dedicar seriamente a impedir a contaminação da água subterrânea, o desenvolvimento turístico matará a galinha dos ovos de ouro”, ressaltou Chris. É possível que isso já esteja ocorrendo. Alguns mergulhadores observaram uma redução nos arrecifes da região, disse ao Terramérica o especialista David Placencia, coordenador do Programa de Monitoramento de Arrecifes do Centro Ecológico Akumal (CEA), uma organização não governamental desta localidade, que fica cem quilômetros ao sul de Cancún. Os mergulhadores entendem que os arrecifes não vão se regenerar, acrescentou.
Pesquisas do CEA concluíram que uma espécie construtora de arrecifes, a Montastraea annularis, diminuiu drasticamente. Há 12 anos, representava 45% dos arrecifes localizados em torno de Akumal, mas no ano passado caiu para menos de 9%, afirma. Os nutrientes e contaminantes derivados do esgoto promoveram o crescimento de algas que asfixiam os corais, explicou David. Na área não há tratamento de esgoto, que vai diretamente para os lençois freáticos. “Definitivamente, houve uma grande mudança nos arrecifes daqui”, acrescentou.
O Estado de Quintana Roo é único porque não possui cursos fluviais na superfície, já que a região é formada por pedra calcária muito porosa. Sob a mesma corre a maior rede mundial de rios deste tipo, além de aquíferos e poços naturais chamados cenotes. Boa parte desta água doce flui pela costa para o Mar do Caribe. É provável que todos estes problemas piorem caso se concretize o prognóstico de excepcional aumento da população mundial, segundo o estudo de Chris e seus colegas.
Quando foi criado o Estado de Quintana Roo, na década de 1970, a região era pura selva e mangues costeiros, com algumas pequenas aldeias maias. Na época, a cidade de Cancún estava desabitada, e agora nela residem cerca de 700 mil pessoas, chegam entre dois e três milhões de visitantes por ano, e o desenvolvimento turístico da região já se estende por 130 quilômetros para o Sul, até Tulum. O estudo de Chris colheu amostras de água subterrânea em cinco pontos entre Playa del Carmen e Tulum, longe dos maiores empreendimentos turísticos.
“Os níveis de contaminantes encontrados estão abaixo do nível que constitui perigo para a saúde humana”, explicou. Um dos motivos para isso é o grande volume e o rápido fluxo das águas subterrâneas. Entretanto, como a maior parte da água vai para a região costeira e arrecifes, estas baixas concentrações de contaminantes se acumulam nessa área, explicou o pesquisador. Ao buscar resíduos de cafeína, metabolitos de nicotina e ingredientes de produtos de higiene pessoal, o estudo demonstra que os dejetos de origem humana penetram no fornecimento hídrico subterrâneo da região.
Um local de testes próximo de um pequeno campo de golfe continha pesticidas e herbicidas utilizados no tratamento da grama, afirmou Chris. Também foram encontrados produtos derivados do petróleo, cuja fonte provavelmente seja a principal estrada da região, junto com outras estradas e estacionamentos de veículos, acrescentou. “Estas conclusões destacam claramente a necessidade de contar com sistemas de controle que determinem com exatidão de onde vêm esses contaminantes de aquíferos”, destacou.
“Este estudo é sólido”, assegurou Brigitta van Tussenbroek, do Instituto de Ciências do Mar e Limnologia da Universidade Nacional Autônoma do México. Sua própria pesquisa detectou grandes concentrações de nitrogênio e fósforo procedentes de esgoto na laguna de arrecife de Puerto Morelos e no sistema lacustre de Nichupté, em Cancún. Brigitta disse ao Terramérica que aprova as recomendações contidas no informe de Chris sobre a necessidade de construir uma infraestrutura adequada para o tratamento de esgotos e acabar com a injeção de dejetos tratados em água salgada debaixo do aquífero de água doce.
Sob os campos de golfe e de outras áreas com gramas deveriam ser instalados revestimentos impermeáveis para evitar os vazamentos de substâncias contaminantes, bem como canais de drenagem impermeabilizados e revestidos, tanques de retenção e sistemas para tratar o lixo, acrescentou. “Estes revestimentos são necessários especialmente sob os locais de lançamento de lixo doméstico”, disse Brigitta. Chris, por seu lado, afirmou que é difícil avaliar os controles ambientais ou do governo local, porque há poucos dados disponíveis. Tampouco está claro até que ponto são aplicadas as leis existentes.
O turismo é fundamental em Quintana Roo, onde leis e regulamentos são ignorados em favor de novos projetos, denunciou David. Embora seja ilegal destruir mangues costeiros devido ao seu papel fundamental na manutenção da saúde dos arrecifes, isto ocorre com muita frequência. Sem bons mapas de ecossistemas que identifiquem onde estão os mangues, os construtores passam com suas máquinas por cima e depois argumentam que a vegetação nunca existiu, afirmou. “E, se são acusados de crimes ambientais, simplesmente pagam a multa e continuam construindo”, acrescentou David.
Uxbridge, Canadá, 7 de fevereiro (Terramérica).- Em pleno auge, a indústria turística mexicana que se estende ao longo da Riviera Maia e de Cancún contamina o maior sistema de grutas submarinas do mundo e causa impacto no arrecife coralino localizado nas proximidades, afirma um novo estudo. Produtos farmacêuticos, resíduos de cocaína, xampu, creme dental, pesticidas e lixo químico que deslizam das estradas foram encontrados no imenso emaranhado de rios e aquíferos subterrâneos do sul da cidade turística de Cancún, localizada na costa caribenha do Estado de Quintana Roo.
“Há poucas dúvidas quanto aos poluentes que encontramos terem origem nas atividades humanas ao longo da região costeira”, disse Chris Metcalfe, pesquisador do Instituto para a Água, o Meio Ambiente e a Saúde, da Universidade das Nações Unidas. A revista britânica Environmental Pollution publica hoje o estudo deste instituto chamado “Contaminants in the coastal karst aquifer system along the Caribbean coast of the Yucatan Peninsula” (Contaminantes no sistema aquífero das cavernas submarinas ao longo da costa caribenha da península de Yucatán).
Latrinas, fossas sépticas, vazamentos nos encanamentos do esgoto e campos de golfe são as fontes mais prováveis dos produtos que prejudicam as águas subterrâneas, disse Chris ao Terramérica. Estas correntes transportam boa parte desses resíduos para a zona costeira e a barreira de coral mesoamericana, a segunda maior do mundo. A contaminação terrestre é apenas um dos impactos sobre os arrecifes costeiros, acrescentou. A pesca acima dos limites estabelecidos, doenças e a mudança climática também contribuíram para a perda de até 50% dos corais desde 1990.
“Sem se dedicar seriamente a impedir a contaminação da água subterrânea, o desenvolvimento turístico matará a galinha dos ovos de ouro”, ressaltou Chris. É possível que isso já esteja ocorrendo. Alguns mergulhadores observaram uma redução nos arrecifes da região, disse ao Terramérica o especialista David Placencia, coordenador do Programa de Monitoramento de Arrecifes do Centro Ecológico Akumal (CEA), uma organização não governamental desta localidade, que fica cem quilômetros ao sul de Cancún. Os mergulhadores entendem que os arrecifes não vão se regenerar, acrescentou.
Pesquisas do CEA concluíram que uma espécie construtora de arrecifes, a Montastraea annularis, diminuiu drasticamente. Há 12 anos, representava 45% dos arrecifes localizados em torno de Akumal, mas no ano passado caiu para menos de 9%, afirma. Os nutrientes e contaminantes derivados do esgoto promoveram o crescimento de algas que asfixiam os corais, explicou David. Na área não há tratamento de esgoto, que vai diretamente para os lençois freáticos. “Definitivamente, houve uma grande mudança nos arrecifes daqui”, acrescentou.
O Estado de Quintana Roo é único porque não possui cursos fluviais na superfície, já que a região é formada por pedra calcária muito porosa. Sob a mesma corre a maior rede mundial de rios deste tipo, além de aquíferos e poços naturais chamados cenotes. Boa parte desta água doce flui pela costa para o Mar do Caribe. É provável que todos estes problemas piorem caso se concretize o prognóstico de excepcional aumento da população mundial, segundo o estudo de Chris e seus colegas.
Quando foi criado o Estado de Quintana Roo, na década de 1970, a região era pura selva e mangues costeiros, com algumas pequenas aldeias maias. Na época, a cidade de Cancún estava desabitada, e agora nela residem cerca de 700 mil pessoas, chegam entre dois e três milhões de visitantes por ano, e o desenvolvimento turístico da região já se estende por 130 quilômetros para o Sul, até Tulum. O estudo de Chris colheu amostras de água subterrânea em cinco pontos entre Playa del Carmen e Tulum, longe dos maiores empreendimentos turísticos.
“Os níveis de contaminantes encontrados estão abaixo do nível que constitui perigo para a saúde humana”, explicou. Um dos motivos para isso é o grande volume e o rápido fluxo das águas subterrâneas. Entretanto, como a maior parte da água vai para a região costeira e arrecifes, estas baixas concentrações de contaminantes se acumulam nessa área, explicou o pesquisador. Ao buscar resíduos de cafeína, metabolitos de nicotina e ingredientes de produtos de higiene pessoal, o estudo demonstra que os dejetos de origem humana penetram no fornecimento hídrico subterrâneo da região.
Um local de testes próximo de um pequeno campo de golfe continha pesticidas e herbicidas utilizados no tratamento da grama, afirmou Chris. Também foram encontrados produtos derivados do petróleo, cuja fonte provavelmente seja a principal estrada da região, junto com outras estradas e estacionamentos de veículos, acrescentou. “Estas conclusões destacam claramente a necessidade de contar com sistemas de controle que determinem com exatidão de onde vêm esses contaminantes de aquíferos”, destacou.
“Este estudo é sólido”, assegurou Brigitta van Tussenbroek, do Instituto de Ciências do Mar e Limnologia da Universidade Nacional Autônoma do México. Sua própria pesquisa detectou grandes concentrações de nitrogênio e fósforo procedentes de esgoto na laguna de arrecife de Puerto Morelos e no sistema lacustre de Nichupté, em Cancún. Brigitta disse ao Terramérica que aprova as recomendações contidas no informe de Chris sobre a necessidade de construir uma infraestrutura adequada para o tratamento de esgotos e acabar com a injeção de dejetos tratados em água salgada debaixo do aquífero de água doce.
Sob os campos de golfe e de outras áreas com gramas deveriam ser instalados revestimentos impermeáveis para evitar os vazamentos de substâncias contaminantes, bem como canais de drenagem impermeabilizados e revestidos, tanques de retenção e sistemas para tratar o lixo, acrescentou. “Estes revestimentos são necessários especialmente sob os locais de lançamento de lixo doméstico”, disse Brigitta. Chris, por seu lado, afirmou que é difícil avaliar os controles ambientais ou do governo local, porque há poucos dados disponíveis. Tampouco está claro até que ponto são aplicadas as leis existentes.
O turismo é fundamental em Quintana Roo, onde leis e regulamentos são ignorados em favor de novos projetos, denunciou David. Embora seja ilegal destruir mangues costeiros devido ao seu papel fundamental na manutenção da saúde dos arrecifes, isto ocorre com muita frequência. Sem bons mapas de ecossistemas que identifiquem onde estão os mangues, os construtores passam com suas máquinas por cima e depois argumentam que a vegetação nunca existiu, afirmou. “E, se são acusados de crimes ambientais, simplesmente pagam a multa e continuam construindo”, acrescentou David.
2011 Ano Internacional das Florestas
A data e o tema foram aprovados pelas Nacoes Unidas.
O objetivo geral é esclarecer a importância de se proteger as nossas florestas de seu sustento e a erradicacao da pobreza. Nossas florestas sao o ecossistema mais ricos em animais e vegetais.
Algumas atividades foram propostas:
3. Porta-vozes ou mensageiros das florestas: Pessoas que ocupem lugares de liderança nas comunidades foram selecionadas para atrair a atenção da mídia, dando maior visibilidade à causa das florestas, sensibilizando para aumentar o apoio da população a essa causa.
4. Coleção de selos sobre o Ano Internacional das Florestas – 2011:Foi desenvolvida uma coleção de selos comemorativos para colaborar com a “Secretaria do Fórum das Nações Unidas sobre as Florestas”. Esta coleção será apresentada na inauguração oficial do Ano Internacional das Florestas, nos dias 2 e 3 de fevereiro de 2011, em Nova Iorque.
5. Concursos Artísticos, Cinematográficos e de Fotografia:Organização de eventos on-line para homenagear aqueles que expressem através das artes plásticas, fotografias, filmes e curtas-metragens a idéia de que as florestas são para o povo.
6. Anúncios de interesse público e curta-metragens promocionais:Existe a produção de um curta-metragem e alguns anúncios de interesse público que serão distribuídos em todo o mundo em diversos idiomas, a serem transmitidos pela televisão e outras mídias, incluindo espetáculos teatrais gratuitos em que se possa transmitir idéias e fomentar ações em prol das florestas.
7. Diversidade biológica das florestas: Em colaboração com a “Secretaria da Convenção sobre a Diversidade Biológica” estuda os âmbitos em que possa haver sinergia entre o Ano Internacional da Biodiversidade, 2010 e Ano Internacional das Florestas – 2011. Entre as atividades se incluiu a organização de um “ato de ligação dos Anos” que fará parte da cerimônia de encerramento do Ano Internacional da Biodiversidade, que será realizada em dezembro de 2010, no Japão.
8. Zonas Úmidas e Florestas: A Convenção de Ramsar escolheu o lema “Os pântanos e florestas” Dia Mundial das Zonas Úmidas para 2011 em homenagem ao Ano Internacional das Florestas. “A Secretaria do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas” colabora atualmente com a “Secretaria da Convenção Ramsar” para a produção de um documento sobre as zonas úmidas e florestas para o Dia Mundial das Zonas Úmidas 2011.
Fonte de pesquisa IBGE
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